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Sonetos - Lílian Maial


ROTAÇÃO
®Lílian Maial
 
 
 
Os matizes das manhãs, no céu da boca,
Descortinam os umbrais de um novo dia.
Segue o mundo a digerir falsa alegria,
Chora um homem com a consciência oca.
 
Cai a tarde... Um sol cansado veste a touca,
E adormece a luz, num ato de ousadia,
Torna o mundo a lamentar a tarde fria,
Chora um homem com pesar da vida mouca.
 
Vem a noite e traz o breu de uma existência,
Gira o mundo a cogitar pedir clemência,
Sem notar que o veredito não demora.
 
Agoniza a madrugada sem plateia,
Dorme o mundo em inocência galateia,
Chora um homem pela perda de outra aurora.
 
***********



Escrito por Lílian Maial às 22h48
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SONETO DO AMOR IMENSURÁVEL
®Lílian Maial

O meu amor é tanto e sem medida!
É fé, é sentimento, é dor e é riso.
É pérola na ostra, um sol narciso,
Brilhante e ensimesmado suicida.

O teu amor não quis me dar guarida.
Esquece que a paixão não manda aviso,
Que os olhos não têm pressa e nem juízo,
E o coração não sabe a despedida.

As linhas que se perdem no meu rosto,
São marcas de alegria e de desgosto,
Que o tempo se encarrega de fincar.

Não há régua no mundo que, hoje, meça,
Nem bom conselho a esta altura impeça,
Que o meu amor não pare de te amar.

 
......................


 



Escrito por Lílian Maial às 22h45
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Um soneto de um querido amigo, o jovem Daniel Rodrigues:

 

SONETO À TERRA DO NUNCA
Daniel C. Rodrigues


Não versejo em constantes enseadas
E nem sentimenteio em ventanias
É que emoções e imagens turbuladas
Confundem meu amor nas fantasias

De uma lembrança faço uma aventura
Contos de piratas, navios de fadas
Retidos num céu feito de ternura
Espaço das estrelas mais brilhadas

Talves local de incertezas verazes
E onde os sentimentos são capazes
De entender-se e revelar-se ao olhar

Na alvura do papel se faz montar-se
Conforme o versejar a derramar-se
Deste mundo criado por te amar.

***********



Escrito por Lílian Maial às 15h19
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Eu guardei a Poesia de um Instante
®Lílian Maial
 
 
Eu guardei a poesia de um instante
Num cantinho escondido do meu peito,
Mas perdi o silêncio deslumbrante,
E o meu verbo rasgou verso perfeito. 
 
Eu guardei o luzir do diamante
Nas lembranças do olhar do meu eleito,
Mas perdi, na dureza do semblante,
A ilusão desse amor tão escorreito.
 
Nos baús, lá no fundo da memória,
Sob escombros de pó e triste história,
Esquecido repousa o coração.
 
Para quê exibi-lo na vitrine,
Se não há, no presente, o que combine
Tão melhor que o seu eco e a solidão? 

 
************
 
 

 



Escrito por Lílian Maial às 14h49
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DE PEDRAS, RIOS E LOUCURA

®Lílian Maial & Nathan de Castro



As águas do riacho choram fendas,
e o limo que as protege não as ama,
mas a paixão é o veio, a curva e a chama
da cachoeira azul, do amor, das lendas.

Amar é uma doutrina de contendas
do peito embevecido, que proclama
o amor maior, quando a loucura inflama,
e dita ao verso a sombra, a veste e as tendas.

Coloca uns versos no teu pensamento
e um tanto dessas pedras que há nos rios,
correndo por cem anos de torpor.

Então terás, nas mãos, o firmamento,
E toda a sapiência dos vazios,
E só, assim, verás o que é o amor.

**********



Escrito por Lílian Maial às 14h42
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Onde o Amor se Esconde
®Lílian Maial



Só dos meus lábios hás de ouvir que o amor se esconde,
Atrás da porta, onde as palavras se retraem,
Atrás dos versos que, por ti, meus dedos traem,
Atrás do sol, bem junto à linha do horizonte.

Só do meu peito hás de esperar que o amor desponte,
Por entre medos e pesares que outros caem,
Por entre as trevas que, de amar, do amor se esvaem,
Por entre aléias do destino à doce fonte.

Se não encontras meu amor no tempo e espaço,
Se não entendes que o universo é o meu abraço,
Então é hora de dizer-te, enfim, adeus.

Pois que o amor não cabe em vaga e nem carona,
Ele é tão grande, que a verdade vem à tona:
O amor é eterno, e a expressão maior de Deus.

**************




Escrito por Lílian Maial às 16h11
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SÓ EU SEI...
®Lílian Maial

 


Só eu sei o sabor desses teus beijos,
A delícia dos lábios de avelã,
Que enlouquecem de amor a cortesã,
Que te espera estampada em azulejos.

Só eu sei dos segredos e desejos,
Das torturas suaves e do afã
De manter-me exilada e anfitriã,
Sem pudor, ou corada aos teus gracejos.

Só eu sei da saudade e do desdém,
Da loucura da morte e muito além,
Quando, em gozo, caminhas para ela.

Só não sei dessa inércia tão baldia,
Teu silêncio é desprezo ou covardia?
Eu só sei que o amor deixa seqüela!

***********


Escrito por Lílian Maial às 16h45
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SONETO DE UM AMOR FATAL
 
                  ® Nathan de Castro & Lílian Maial
 
 
Fatal é essa emoção que se derrama
no colo das palavras sem sentido
e aclama, no poema, a flor e o drama
nos versos de um amor tão desmedido.
 
Ardente é esse momento em nossa cama,
Fogueira – aonde nada é proibido -
que acende, nos lençóis, a mesma trama
de estrelas, luas, sóis, e essa libido...
 
Fatal é esse desejo em verso e prosa,
Que encobre a dor do espinho e expõe a rosa
aos mágicos segundos da canção.
 
Fatal é o teu sabor – cianureto –
veneno de algum sonho de soneto,
que sangra sobre as rimas da paixão.
 
***********


Escrito por Lílian Maial às 16h21
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O Infinito somos Nós
 
                                ®Lílian Maial & Nathan de Castro
 
 
 
Como explicar o encanto e a sintonia
Com que vivemos esse amor tão puro,
Se em cada verso escuto a sinfonia,
E essa canção nos diz nosso futuro?
 
 
Como escrever distâncias, quando o muro
Desfez-se em nós, tão frágil como o dia,
Se pelo espaço espalho o que eu murmuro,
E escuto a voz do amor em poesia?
 
Como explicar a ausência das paredes,
Que, mesmo ausentes, prendem nossas redes,
Embaralhando fronhas e lençóis?
 
Não sei do tempo, espaço ou vis amarras,
Mas quando sinto a flor das tuas garras,
Sei que o infinito espera só por nós!
 
***********



Escrito por Lílian Maial às 02h57
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VORAGEM
 
                     ®Lílian Maial & Nathan de Castro

 
 
Toma os meus seios, bebe do meu leite,
E arrisco-me a ninar um novo verso!
Vara as entranhas para o meu deleite,
Lambe o meu sangue, em rimas, submerso!

 
Suga o meu suco, os líquidos!... O azeite
deixa escorrer no corpo, já disperso,
em que me faço, da nudez, enfeite,
em que te enrosco num balé perverso!

 
E cuido de te amar à beira-morte,
com todos os venenos da mulher
de tantas faces, tantos personagens...

 
E trato de riscar profundo corte,
com todos os requintes do talher,
manter-te vivo em minhas tatuagens!

 
************



Escrito por Lílian Maial às 02h54
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 Se não Podes chegar a Tempo em minha Vida,
 
                                                       ®Lílian Maial & Nathan de Castro
 
 
 
Se não podes chegar a tempo em minha vida,
Então esquece o beijo, o verso e as nossas linhas.
Deixa a lágrima ardente se juntar às minhas,
Numa doce sangria a ousar nossa ferida.

 
Um soluço hibernado de uma dor parida
Ecoa em nossas tardes de distantes vinhas,
Infernal revoada, loucas andorinhas,
As lembranças do amor, sem noite ou despedida.

 
Na lonjura entalhada, um peito de incertezas.
No comboio de sonhos, dormentes tristezas,
E um punhal de luar a lamentar nós dois.

 
Tantos planos nas veias, já coagulados,
Por uns versos estóicos, desejos calados,
Que deixamos estanques pra viver depois.

 
**************



Escrito por Lílian Maial às 02h52
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ESCANDINDO ESTRELAS
© Lílian Maial



Os ventos só me sopram incertezas.
Os rios correm cegos, sem pensar
que as pedras formam sólidas represas,
e o leito chora o fim, ao desaguar.

Preciso viajar nas correntezas,
içar as velas prenhes nesse mar,
buscar as companheiras das empresas
que a escuridão ajuda a ver brilhar.

Eu quero a rima rica das estrelas,
contar todas as sílabas do verso
que, um dia, sem querer, ouvi cantar!

Guardar nas mãos as luzes, sem prendê-las,
e vagalumear pelo universo,
que a voz do meu amor há de estrelar!

**********



Escrito por Lílian Maial às 21h23
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TOMA-ME EM TEUS BRAÇOS
Lílian Maial

 

 

Se me queres, por que tu me ignoras
e me deixas a arder nessa fogueira?
Sem teus beijos, esqueço o que são horas,
por amor, um minuto é vida inteira.

Quando fui, te deixei meu endereço,
esperando o teu rosto à minha porta,
mas no fundo, hoje eu quase que enlouqueço,
sem teu corpo, o destino é viver morta.

Entre a cruz e a caldeira é esse amor,
uma vela para o santo e outra pro demo,
se me deixas vagar sem teu calor,
nesse inferno gelado eu me condeno.

Então vem, volta logo pro meu peito,
vem pecar com tua gata neste cio,
que a saudade é um micróbio traiçoeiro,
e que o tempo traz vida por um fio.

__________________________________



Escrito por Lílian Maial às 18h16
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 VERSOS PUDICOS

Lílian Maial

Se o meu corpo se esconde no vestido,
é por conta do pejo e da certeza,
de que, em mim, não me cabe a natureza,
e a nudez perderia o seu sentido.

No meu colo, esse verso adormecido
vem pousar noutro galho de leveza,
encantando os poetas de beleza,
nos cabelos de um negro abstraído.

A poesia me faz despudorada,
nas palavras me sinto tão amada,
que o desejo, de assalto, não me poupa.

Minha pele já pede outro terceto,
E a loucura eu encontro no soneto,
P’ra implorar que me arranques toda a roupa.

********



Escrito por Lílian Maial às 18h11
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Para Rimar com Paixão
 
               © Nathan de Castro
 
Empresta-me a poesia dos teus dias
e escrevo o amor maior das cachoeiras,
invento o sol num beijo e as fantasias
dos frutos que seduzem as palmeiras.
 
Entrega-me o escuro, as noites frias
e todas as palavras carpideiras,
para comporem novas melodias,
quando a saudade ousar dizer besteiras.
 
E cuido de exaltar as madrugadas,
apresso-me a gritar que a vida é nada...
Sem os teus lábios tudo é solidão!
 
E cuido de compor novas estradas,
acendo a luz e as rimas da alvorada,
pois sei que o verso é a estrela da paixão.
 
*********
 
Só Loucura
  
     © Lílian Maial
 
 
Meus dias não são meus sem teu caminho,
e os versos não traduzem meu vazio.
O sol machuca a pele sem carinho
dos braços, que me fazem arrepio.
 
As noites são mais frias sem teu ninho,
e eu choro a tua ausência que, hoje, expio.
E bebo a solidão - amargo vinho -
com notas de saudade e calafrio.
 
Exorto os temporais, raios, procelas,
que venham mil trovões e o fim do mundo,
que a vida é a insanidade que não cura!
 
E cuido de compor as aquarelas,
posando de Van Gogh por um segundo,
que a rima da paixão é a loucura!
 
*********


Escrito por Lílian Maial às 20h36
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