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Sonetos - Lílian Maial


 

TOMA-ME EM TEUS BRAÇOS
Lílian Maial

 

 

Se me queres, por que tu me ignoras
e me deixas a arder nessa fogueira?
Sem teus beijos, esqueço o que são horas,
por amor, um minuto é vida inteira.

Quando fui, te deixei meu endereço,
esperando o teu rosto à minha porta,
mas no fundo, hoje eu quase que enlouqueço,
sem teu corpo, o destino é viver morta.

Entre a cruz e a caldeira é esse amor,
uma vela para o santo e outra pro demo,
se me deixas vagar sem teu calor,
nesse inferno gelado eu me condeno.

Então vem, volta logo pro meu peito,
vem pecar com tua gata neste cio,
que a saudade é um micróbio traiçoeiro,
e que o tempo traz vida por um fio.

__________________________________



Escrito por Lílian Maial às 18h16
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 VERSOS PUDICOS

Lílian Maial

Se o meu corpo se esconde no vestido,
é por conta do pejo e da certeza,
de que, em mim, não me cabe a natureza,
e a nudez perderia o seu sentido.

No meu colo, esse verso adormecido
vem pousar noutro galho de leveza,
encantando os poetas de beleza,
nos cabelos de um negro abstraído.

A poesia me faz despudorada,
nas palavras me sinto tão amada,
que o desejo, de assalto, não me poupa.

Minha pele já pede outro terceto,
E a loucura eu encontro no soneto,
P’ra implorar que me arranques toda a roupa.

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Escrito por Lílian Maial às 18h11
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